Pense numa banda de rock que gravou 'o mesmo album 22 vezes' (como dizem os críticos) e que mesmo assim é a banda favorita de 9 a cada 10 roqueiros que você pergunta. Se você pensou no AC/DC, você acertou. Mas vou deixar o porque disso pra outro dia. O que muitos bateristas se perguntam é "Porque diabos esse tal de Phil Rudd só bate caixa e bumbo 99% das músicas? quase sem variações, sem nada?"
Chega a ser 'irritante', visto que o AC/DC possui uma das cozinhas mais fodas do rock (Malcolm e Angus Young são dois dos melhores 'riffmakers' do mundo) o que permitiria uma liberdade maior pra explorar novos rudimentos e quebras de tempo . Você deve estar dizendo "Ah, é facil, ele não faz nada disso porque ele é ruim". ERRADO. Muito longe disso. O cara é simplesmente o maior metrônomo da história do rock. 1,2,3,4...1,2,3,4... ali, como um reloginho, enquanto Angus, Malcolm e Cliff Williams 'brincam'.
Responda rápido: você colocaria John Bonham ou Dennis Chambers pra assumirem as baquetas do AC/DC?
Nem fodendo ! É obvio. Cada um no seu quadrado, certo?
E é ai que entra a genialidade desse tal de Phil Rudd. Ele é o melhor no que ele faz. Ninguém é tão preciso e eficiente quanto o cara. "Ah, mas ele só bate bumbo e caixa e tem feito isso por pelo menos 40 anos". Que continue assim ! Ao contrário de outros duzentos bateristas supervalorizados que vemos em "grandes" bandas por aí que pensam que estão inovando e no final estão só enchendo o saco com seu 'virtuosismo'.
Eu não sou contra o virtuosismo, que fique bem claro. Apenas acho que independente de você ser um Neil Peart ou um Ringo Starr, o que vale no final não é quão rápido ou forte você toca, e sim a sua criatividade e feeling. Eu particularmente acho o Mike Portnoy um saco perto do Phil Rudd. Lembrando: Não estou falando TÉCNICAMENTE (seria covardia). O meu ponto é: ouvir (e ver) o Phil tocando transmite algo que bateristas como o Portnoy não transmitem. Algo que pouquíssimos músicos tem. É como os Ramones, saca?
"Ah, mas qualquer um sabe bater bumbo e caixa. Tocar com os irmãos Young é muito fácil"
Bem, em 1983, Phil Rudd foi expulso do AC/DC por abusar das drogas (aliás, um dos melhores amigos do cara é aquele tal de Keith Richards). E o que aconteceu com o AC/DC? Declínio total da banda, que foi praticamente esquecida por boa parte das pessoas, que diziam que o AC/DC havia 'enjoado'. Realmente, foi uma sequencia de discos fraquíssimos como "Fly on the Wall" e "Flick of the Switch".
Foi um longo período sem Phil Rudd na banda. Em 1994, Angus Young percebeu o que havia de errado e trouxe Phil de volta para o AC/DC, que participou diretamente do processo criativo do próximo disco, 'Ballbreaker' (um dos meus discos favoritos do AC/DC, diga-se de passagem).
Sinta a diferença:
MUITO melhor, não?
Pra finalizar, o veredicto de Brian Johnson sobre Phil Rudd ser o batera mais cool do rock:
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